Esquema de pirâmide sediado em Pombal contava com mais de 25 mil participantes

Por: Marta Botas
04-02-2021


Um jovem ex-emigrante de 36 anos, informático de profissão, foi recentemente acusado pelo Ministério Público por ter criado um esquema em pirâmide sediado em Pombal, que chegou a ultrapassar os 25 mil participantes, com mais de quatro milhões de euros indevidos com a burla.

O negócio designava-se "MeoClick" e era divulgado através da Internet como uma forma de ganhar dinheiro fácil a partir de casa. A grande maioria dos clientes foram angariados em França e na Suíça, país onde o arguido terá dado início à alegada burla.

A informação foi avançada esta quinta-feira pela agência Lusa, segundo a qual “o Ministério Público acusou recentemente o jovem informático, bem como outros três cúmplices e sete empresas associadas ao esquema, de burla, branqueamento de capitais e falsificação de documentos, pedindo uma perda a favor do Estado de 4,2 milhões de euros”.

Ainda de acordo com Lusa, o Ministério Público (MP) contabiliza 3,8 milhões de euros angariados através do esquema, a partir da empresa Binary Dialogue, sediada em Pombal, só entre março de 2015 e março de 2016, e refere que “ainda na Suíça e já depois de condenado, o arguido terá decidido desenvolver um esquema de captação de investimentos de estilo piramidal, criando para tal uma oferta de um suposto serviço de aplicação de fundos que comprava espaços de publicidade na internet”.

Entrando no ‘site' da empresa, o cliente poderia optar por comprar um "cupão" por 25 euros ou ‘packs' de cupões a partir de 200 euros e eram garantidas comissões que poderiam chegar aos 150% do valor investido e o “apadrinhamento” prometia 11% sobre os “afilhados diretos”.

Segundo a Lusa, a acusação refere que o ‘site' era "sofisticado" e que foi o caudal anormal de transferências para a conta da Binary Dialogue que fez "disparar os alarmes" das autoridades responsáveis pela prevenção de branqueamento de capitais, que em 2016 procederam à suspensão provisória dos movimentos bancários, o que levou o arguido a constituir duas novas empresas, cujas contas bancárias também acabaram apreendidas. Mas o arguido não se ficou por aí e tratou de constituir empresas na Guiné-Bissau.

“Já com a investigação em andamento, as contas bancárias bloqueadas e imóveis e carros de luxo apreendidos, o arguido, juntamente com os restantes cúmplices, tentaram arranjar esquemas para resgatar os fundos e os imóveis, mas sem sucesso”, acrescenta a Lusa, citando o Ministério Público.

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