“Amigos do Arunca” enviam carta aberta sobre a poluição no rio Arunca por ocasião do Dia Mundial dos Rios

Por: Marta Botas
30-09-2020


Por ocasião doo Dia Mundial dos Rios, o grupo pombalense “Amigos do Arunca” enviou uma carta aberta dirigida aos cidadãos e às autoridades competentes, na qual reclamam da “inexistência de boa qualidade ambiental". Pedem explicações sobre a situação de degradação das Águas do rio Arunca, que consideram “grave” e lutam pela “despoluição, aumento e manutenção da qualidade ambiental quer da água, quer da fauna e flora, organização de actividades, envolvimento do máximo de cidadãos e entidades públicas e privadas”.

A carta foi enviada no passado dia 27 de setembro, e é dirigida aos cidadãos pombalenses e sourenses, ao presidente da câmara Municipal de Pombal e ao presidente da Cãmara Municipal de Soure, ao presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), ao presidente do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), ao presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), ao Ministro do Ambiente e da Transição Energética e ao Comandante da Guarda Nacional Republicana (GNR) de Pombal.

Numa nota enviada à PombalTV, os “Amigos do Arunca” salientam que o movimento, focado na despoluição do Rio Arunca, “teve início após duas lontras aparecerem mortas no rio numa altura em que as águas apresentam sinais graves de poluição”, o que levou os membros a “pretendem exercer a sua cidadania de forma participativa e olhar o Rio Arunca para não o deixar morrer.

A carta começa por expressar a “preocupação da população com a má qualidade ambiental do Rio Arunca e seus afluentes” e salienta que “várias denúncias ambientais foram efetuadas nos últimos anos”, que se mantêm “os vários focos de origem da poluição” e que não há “informação disponível, seja sobre o acompanhamento das entidades a essas denúncias, seja a eventual imputação de responsabilidade penais, contraordenações, ou de reconstituição natural”.

Frisando que “nos últimos anos, fruto das intervenções efetuadas nas margens do rio Arunca, a população voltou a redescobrir o rio, aproveitando a oferta de novas infraestruturas como espaço de lazer ao ar livre”, a carta lembra que num dia do verão de 2020 “foram encontradas duas lindas lontras mortas, dois belos exemplares da nossa fauna, no rio Arunca, a montante da cidade de Pombal, acompanhado de relatos e testemunhos de sinais graves de poluição das suas águas” e que “esta situação provocou uma onda de consternação e reflexão, juntando pessoas, que não se conhecendo, pretendem exercer uma cidadania responsável e participativa, e que têm em comum uma preocupação”, que resultou na formação do movimento “olhar o Rio Arunca para não o deixar morrer”, que foi acolhido pelo GPS - GRUPO PROTECÇÃO SICÓ.

A carta pede a ajuda a todas as entidades públicas e privadas para que o estado ambiental atual do Rio Arunca e dos seus afluentes venha a público, e pede esclarecimentos sobre “quais as medidas tomadas e quais ainda estão em resolução”, sobre “de que forma se faz a monitorização do impacto dos efluentes que estão autorizados a drenar para o Rio Arunca e dos seus afluentes (…) e qual a articulação de informação com as outras entidades competentes pelos recursos hídricos e ambientais”.

Existindo “um plano de monitorização da água do Rio Arunca e dos seus efluentes como descrito na Lei da Água e no Plano Nacional da Água”, os “Amigos do Arunca” pretendem saber “de que forma são feitos e divulgados os resultados”, “qual a evolução do estado químico e o estado ecológico das águas do Rio Arunca e dos seus afluentes” e defendem que “as ações de fiscalização terão de ser rotineiras”.

Os “Amigos do Arunca” alertam que “irão manter-se atentos e interventivos e disponibilizam-se para dar voz às preocupações dos cidadãos, para que a água do Rio Arunca e seus afluentes (Rio Anços, Rio Ourão) seja um património natural e cultural protegido e defendido como tal” e esperam que “a comunidade científica, artística, escolar, trabalhadores das áreas agrícolas, se juntem para desencadear actos de sensibilização, actos de carinho e de cuidado aos rios, e possamos um dia voltar a ter o rio de volta”.

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