Avocação dos pelouros de Ana Gonçalves discutida em reunião de câmara

Por: Patrícia Ribeiro
03-04-2020


Realizou-se, no passado dia 27 de Março, mais uma reunião do executivo municipal de Pombal. Uma sessão, feita através de videoconferência, que ficou marcada pela troca de acusações entre o presidente da Câmara Municipal e os seus vereadores. Principalmente, quando, no período do antes da Ordem do Dia, foi abordada a questão da avocação dos pelouros da vereadora Ana Gonçalves.

Diogo Mateus começou por explicar que a sua decisão prendeu-se com um despacho que a vereadora terá feito e que "violava" o despacho por si exarado, relacionado com um processo de apreciação das condições de acumulação de funções dos trabalhadores da autarquia. "A forma como esta comunicação foi transmitida aos nossos trabalhadores subverte em absoluto os termos do meu despacho (...) Tive a ocasião de solicitar esclarecimentos à vereadora para tentar perceber por que razão houve esta modificação do meu despacho, e até hoje não tenho nenhuma justificação que me consiga fazer perceber o que aconteceu", disse, considerando que, vindo de um membro da Câmara com 10 anos de actividade, "é uma matéria particularmente preocupante do ponto de vista da quebra de confiança". Sobretudo, acrescentou, quando o processo em causa tinha subjacente a "regularização daquilo que estava indisciplinado", realçou, fazendo referência ao caso do director do Departamento dos Recursos Humanos da autarquia, Miguel Ribeirinho, a quem, entretanto, foi instaurado um processo disciplinar.

Uma justificação que Ana Gonçalves, afirma, já esperava ouvir do autarca, mas que garante não corresponder à verdade, conforme diz atestar o parecer do advogado Teófilo Santos, que refere "não haver nada que indique a alteração do despacho". "Sr. Presidente, as suas motivações são exatamente as mesmas que fizeram com que, em 2007, me colocasse em 4º lugar na lista candidata à Câmara Municipal e, em 2019, o fizeram não me conceder a oportunidade de integrar, em 3º lugar, a lista de candidatos do distrito de Leiria à Assembleia da República", contrapôs, garantindo, embora sem ser explícita, tratarem-se de "motivos estritamente pessoais". "É que eu não cedi à pressão para renunciar ao mandato e não cedi, porque não vi nenhuma razão válida para o fazer! Prefiro perder os pelouros, mas dizer a verdade!", disse, acusando Diogo Mateus de "pressões". "Como é que um autarca, com a sua experiência, coloca à frente dos interesses públicos matérias estritamente pessoais?!", questionou-se, garantindo que, mesmo sem pelouros atribuídos, "tudo fará" para continuar a contribuir para o desenvolvimento do concelho. 

Contra a justificação do presidente da edilidade, insurgiu-se também a vereadora do Partido Socialista, Odete Alves, que considerou que o argumento que apresentou é "altamente forçado". "Como todos já percebemos, não há aqui subversão nenhuma! O sr. é que está a interpretar isso à sua maneira, porque dá-lhe jeito que assim seja (...) Trata-se, sim, de uma questão pessoal que pôs à frente do que é o interesse público!", censurou, considerando "absolutamente inoportuno" o momento que escolheu para o fazer. "Só lamento que os pombalenses, em cima de tudo o que estão a viver neste momento, tenham que assistir a estas novelas mexicanas!", lamentou-se, acusando-o de estar a criar instabilidade governativa.

Dessa opinião comunga também o vereador do Movimento NMPH, Michael António, que, para além de lamentar a "falta de oportunidade" de Diogo Mateus para expor a situação, disse também "não acreditar" no argumento que utilizou para justificar a retirada de pelouros à sua colega da vereação. "Lamento que estejamos a fazer esta lavagem de roupa neste órgão, mas são sobejamente conhecidas e faladas na Praça Pública os motivos pessoais que o dividem da vereadora Ana Gonçalves", afirmou.

A intervenção mais inflamada acabaria por ser a de Pedro Brilhante - ele que, em outubro de 2019, também viu serem-lhe retirados todos os pelouros -, que, num forte ataque ao presidente da Câmara Municipal, não se coibiu de lhe dizer tudo o que sente, usando termos como "delírio", "ridículo", "canalhice", "inqualificável", "intolerável", "irresponsabilidade", "trepaceiradas", "reles", "miseráveis", para descrever o "triste espectáculo" que o autarca fez, ao "inventar um caso político com base num faits divers!". 

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