Homem afirma em tribunal que disparo sobre ex-funcionária foi acidental

Por: Rita Ribeiro
21-01-2019


Um homem que explorava uma oficina de estofos em Pombal confessou ao Tribunal de Leiria que disparou sobre uma ex-funcionária de forma acidental, negando parte da acusação, que refere que o suspeito ameaçou a jovem. O homem, de 65 anos, é acusado dos crimes de tentativa de homicídio qualificado agravado, detenção de arma proibida, coação agravada, ameaça agravada, dano e simulação de crime.

Durante o seu depoimento, o arguido admitiu ao tribunal que tinha “dado uns beijinhos” à ex-funcionária, uma jovem de 22 anos, mas desmentiu que a tivesse ameaçado de morte, assim como à sua mãe, quando a vítima se quis despedir. “Tinha uma atracão de amizade por ela. Dávamos uns beijinhos. Mas nunca forcei nada além disso”, respondeu, ao ser confrontado pela juiz presidente.

Segundo a Agência Lusa, o homem explicou que tinha uma caçadeira guardada na oficina na localidade de Tinto, concelho de Pombal, “porque já tinha sido assaltado várias vezes e andava atemorizado”, garantindo que nunca apontou a arma à jovem: “Tirei a caçadeira da caixa, para a assustar e para ela sair da oficina. Nunca a ameacei. Tirei-lhe o telemóvel da mão porque estava com medo que ela estivesse a chamar alguém para me fazer mal”, adiantou.

Quanto ao disparo, o homem referiu que tinha a arma apontada para baixo, quando a vítima o empurrou. “No meio daquilo dei um disparo, mas nem sabia para onde estava apontada a arma”, explicou.

Versão diferente foi apresentada pela vítima. Num testemunho muito emocionado, sempre a chorar, a jovem disse que foi ameaçada de morte dias antes e que aceitou ir à oficina entregar a chave para proteger a mãe, a quem o arguido também tinha proferido as mesmas ameaças.

“Quando estava para me vir embora, viu-o ir a correr mexer numa caixa e parei. Fiquei paralisada. Foi quando ele me apontou a arma e disse para me sentar ou então matava-me”, contou, referindo que acabou por ser baleada na perna.

Segundo a jovem, o homem recusou chamar o socorro, acedendo apenas depois dela prometer que o perdoava, que ficava com ele e que iria dizer à GNR que tinha sido vítima de um assalto.

Segundo o despacho de acusação, em julho de 2016, a jovem começou a trabalhar na oficina de estofos do arguido. “Um mês volvido, o arguido começou a demonstrar interesse sexual pela assistente, com alusão a sentimentos amorosos e desejo de envolvimento sexual com a mesma”.

 

Fotografia: Correio da Manhã

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