Australis garante prospeção de gás sem fratura hidráulica

Por: Rita Ribeiro
08-11-2018


A operadora australiana Australis, Oil & Gas, que tem as concessões da Batalha e Pombal, na região de Leiria, garante que a exploração não será efetuada com recurso à fratura hidráulica.

A garantia foi dada por Ian Lusted, presidente da empresa australiana, num encontro com jornalistas. Segundo a Agência Lusa, nas sondagens será utilizada uma técnica idêntica à das captações de água. Na sessão de esclarecimento, Ian Lusted assegurou que a empresa submeteu “voluntariamente” o planeamento das sondagens previstas à apreciação de um estudo de impacto ambiental, que se encontra na Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

“O poço de avaliação na concessão da Batalha está previsto ser perfurado na vertical até uma profundidade aproximada de 2.900 metros, o que será idêntico na concessão de Pombal”, afirmou Ian Lusted, acrescentando que as explorações não estão perto de zonas Reserva Agrícola Nacional e Reserva Ecológica Nacional, de rios, de pessoas e de zonas arqueológicas.

A empresa assegurou também que, após a realização dos estudos, os locais concessionados serão “deixados como estavam antes”.

“Se formos bem-sucedidos e avançarmos para a comercialização, o impacto será mínimo, pois a distribuição do gás será realizada de forma subterrânea. Praticamente todo o processo é feito no subsolo”, disse Ian Lusted, ao referir que, até ao momento, “terão sido gastos cerca de meio milhão de dólares [cerca de 440 mil euros] de investimento direto”.

Por seu lado, o presidente da associação ambientalista Oikos, Mário Oliveira, mostra satisfação por o projeto ser executado através de sondagens “ditas convencionais”, uma vez que “os impactos, teoricamente, não são tão graves quanto isso”.

“A fracturação hidráulica era liminarmente colocada de lado por nós. Ainda continuam de pé algumas dúvidas em relação aos planos de contingência, que têm a ver com eventuais riscos de contaminação dos aquíferos e aqui a população tem de falar mais alto do que os interesses do gás”, disse.

Já o dirigente da organização ambientalista Quercus Domingos Patacho destacou a importância do “estudo de impacto ambiental para cada um dos furos”. “Eles assumem que não há ‘fracking’, que era um risco muito maior, mas mesmo assim não temos a certeza disso”, acrescentou.

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